Foto:Margarida Neide, fonte: A Tarde
A GRANDE IDEIA de Sotero Nascimento, ele tira cópias e conserta máquinas off-set e impressoras na Avenida Tancredo Neves
FELIPE AMORIM ,Numa tortuosa fila da fotocopiadora do Detran, há pouco mais de três meses, Sotero Nascimento teve um estalo.
“Taí, eu trabalho com isso e tô enfrentado essa espera”.
Espremeu os botões,torceu alguns parafusos, juntou 40 baterias de telefone sem fio a umaimpressora a jato de tinta e se tornou o primeiro selfcopyistmade-man da apressada Av. Tancredo Neves.
De segunda a sexta, das 7h30 às 17h30, passam por sua banca RGs, habilitações, certidões negativas, CPFs e que tais, que lhe garantem de R$ 50 a R$ 100 por dia. “Há 17 anos monto meus empregos”, gaba-se ele, hojecom40 e larga experiência em consertarmáquinas off-set e impressoras industriais.
O traquejo com o maquinário vem da adolescência, quando fez cursos profissionalizantes de elétrica, mecânica e eletrônica – “igual ao presidende Lula”, lembra Sotero.
Antes de ser copiador móvel, ele vendia máquinas forjadas por ele mesmo. Pequenas betoneiras, formas para tijolos e encartadeiras, aquelas máquinas que servem para fechar embalagens de papelão.
A mente irrequieta de Sotero já havia percebido a necessidade de uma copiadora portátil. Mas, há um ano e meio, ele não conhecia a tecnologia para tanto e ainda ganhavabemdandoassistência técnica a impressoras a laser.
Preferiu guardar a ideia.
“Temideias que ficam encantadas, deixo elas ali no canto esperando a oportunidade”, explica.
A oportunidade chegou juntocomaexpansãodasimpressoras a jato de tinta. Oscartuchos mais baratos levaram os clientes a reclamar do preço dos serviços de Sotero, levando-o a encarar seriamente as jato de tinta. E foi nelas que encontrou solução para sua ideia “encantada”.
O motivo pelo qual Sotero nunca pendurou uma impressora a laser no pescoço é porque a peça que derrete o pó do toner para fixar a tinta no papel – chamada de rolo fusor – consome muita energia.
Já as modernas impressoramultifuncionaisajatode tinta podem funcionar a partir de baterias de telefone e possuem uma definição tão boa a ponto de funcionarem como máquinas de xerox.
Aburocracia se encarregou de lhe arrumar freguesia. “A burocracia é demais, e ninguém fornece uma xerox”, reclama a professora aposentada Iraildes Santos, 69 anos, que pela terceira vez na tarde de ontem recorria aos serviços de Sotero para atender a exigências documentais imprevistas e tentar regularizar a situação na Receita. Por dia,são feitos 1,6 mil atendimentos no prédio da Av. Tancredo Neves.
A julgar pela simpatia com os clientes, seráumaboa base eleitoral para as pretensões de Sotero de se candidatar a uma vaga na Câmara de Vereadores em 2014. “O impossíveléaquiloqueagentenunca pensou”, garante.
“O impossível é aquilo que a gente nunca pensou” SOTERO NASCIMENTO Primeiro self-copyist-made-man
FELIPE AMORIM ,Numa tortuosa fila da fotocopiadora do Detran, há pouco mais de três meses, Sotero Nascimento teve um estalo.
“Taí, eu trabalho com isso e tô enfrentado essa espera”.
Espremeu os botões,torceu alguns parafusos, juntou 40 baterias de telefone sem fio a umaimpressora a jato de tinta e se tornou o primeiro selfcopyistmade-man da apressada Av. Tancredo Neves.
De segunda a sexta, das 7h30 às 17h30, passam por sua banca RGs, habilitações, certidões negativas, CPFs e que tais, que lhe garantem de R$ 50 a R$ 100 por dia. “Há 17 anos monto meus empregos”, gaba-se ele, hojecom40 e larga experiência em consertarmáquinas off-set e impressoras industriais.
O traquejo com o maquinário vem da adolescência, quando fez cursos profissionalizantes de elétrica, mecânica e eletrônica – “igual ao presidende Lula”, lembra Sotero.
Antes de ser copiador móvel, ele vendia máquinas forjadas por ele mesmo. Pequenas betoneiras, formas para tijolos e encartadeiras, aquelas máquinas que servem para fechar embalagens de papelão.
A mente irrequieta de Sotero já havia percebido a necessidade de uma copiadora portátil. Mas, há um ano e meio, ele não conhecia a tecnologia para tanto e ainda ganhavabemdandoassistência técnica a impressoras a laser.
Preferiu guardar a ideia.
“Temideias que ficam encantadas, deixo elas ali no canto esperando a oportunidade”, explica.
A oportunidade chegou juntocomaexpansãodasimpressoras a jato de tinta. Oscartuchos mais baratos levaram os clientes a reclamar do preço dos serviços de Sotero, levando-o a encarar seriamente as jato de tinta. E foi nelas que encontrou solução para sua ideia “encantada”.
O motivo pelo qual Sotero nunca pendurou uma impressora a laser no pescoço é porque a peça que derrete o pó do toner para fixar a tinta no papel – chamada de rolo fusor – consome muita energia.
Já as modernas impressoramultifuncionaisajatode tinta podem funcionar a partir de baterias de telefone e possuem uma definição tão boa a ponto de funcionarem como máquinas de xerox.
Aburocracia se encarregou de lhe arrumar freguesia. “A burocracia é demais, e ninguém fornece uma xerox”, reclama a professora aposentada Iraildes Santos, 69 anos, que pela terceira vez na tarde de ontem recorria aos serviços de Sotero para atender a exigências documentais imprevistas e tentar regularizar a situação na Receita. Por dia,são feitos 1,6 mil atendimentos no prédio da Av. Tancredo Neves.
“O impossível é aquilo que a gente nunca pensou” SOTERO NASCIMENTO Primeiro self-copyist-made-man

Por: Só na Zueira in















